O tempo de pôr fim a este rumo de desastre é o tempo de hoje. Tempo de protesto e de recusa. Tempo de mobilização de toda a inteligência, de toda a criatividade, de toda a liberdade, de toda a cólera contra uma política que chama “austeridade” à imposição de um brutal retrocesso histórico. Defender a Cultura é uma das mais inadiáveis formas de fazer ouvir todas as vozes acima do medíocre ruído dos “mercados”. Manifestamo-nos em defesa da cultura. E agiremos em conformidade.
03/04/2018
08/03/2018
Sobre o “incómodo” da Directora Regional da Cultura do Centro. Apelo ao Ministro da Cultura
Para:
Exmo. Senhor Luís Castro Mendes, Ministro da Cultura do Governo de Portugal
O financiamento público da cultura, incluindo o apoio financeiro a estruturas de criação artística, é uma das formas de o Estado contribuir para a democratização do acesso à criação e à fruição das artes, desígnio constitucional de que o país se deve orgulhar.
Os apoios financeiros do Estado à criação e à programação artísticas são essenciais para garantir uma oferta diversificada, de qualidade, a preços comportáveis, dirigida a públicos plurais e distribuída geograficamente de uma forma equilibrada. Estes objectivos assentam no princípio de que o contacto regular com as diferentes expressões artísticas – em todas as idades, incluindo entre crianças e jovens – tem uma importância muito significativa para o desenvolvimento pleno dos indivíduos e da sociedade: estimula a curiosidade, o sentido crítico, a imaginação, a vontade e a capacidade de conhecer e de comunicar com o outro, de aprender e de conviver com a diferença, de construir e de apreciar a vida em comunidade. Através das suas linguagens próprias, a arte produz e transmite conhecimento e é essencialmente por isso que torna os países melhores e mais ricos.
Ainda que de uma forma que muitos de nós consideramos insuficiente, o actual Governo iniciou um processo de recuperação dos níveis de financiamento público das artes, reconhecendo os efeitos devastadores dos cortes que nesta área foram feitos a partir de 2010. Está a decorrer actualmente um concurso para financiar projectos artísticos plurianuais, no âmbito do novo Regulamento de Apoio às Artes, aprovado em meados do ano passado.
Foi por isso com perplexidade que tomámos conhecimento das declarações feitas no passado dia 2 de Março, em Leiria, pela Dra. Celeste Amaro, Directora Regional da Cultura do Centro. Elogiando uma companhia de teatro que não teria concorrido aos concursos da Direcção-Geral das Artes, afirmou que as estruturas que solicitam financiamento público são um incómodo para o Estado: “Vim cá a Leiria porque, por incrível que pareça, não me pediram dinheiro. Como é possível? Ainda por cima na área do teatro! Foi algo que me tocou bastante. É uma lição de como um grupo de teatro profissional, com três atores, que se dedica de corpo e alma ao seu trabalho, vive sem pedir dinheiro, não incomoda a administração central".
De acordo com notícias publicadas em vários órgãos de comunicação social, insinuou ainda que as estruturas que concorrem a apoios públicos não querem trabalhar: "Preferiram estar a trabalhar nesta programação, que não fica nada a dever às companhias profissionais subsidiadas, em vez de estarem ao computador a tratar do processo.” [https://www.dn.pt/lusa/interior/diretora-da-cultura-do-centro-prefere-candidatura-conjunta-a-capital-europeia-2027-9158235.html]
É no mínimo inusitado que uma funcionária do Estado com estas responsabilidades profira tais declarações. Elas ofendem os profissionais que têm trabalhado no serviço público financiado pelo Estado, tentam criar uma clivagem entre estruturas “subsidiadas” e “não subsidiadas” e entre profissionais e não profissionais, amesquinham os próprios funcionários do Ministério e as personalidades convidadas para avaliar as candidaturas apresentadas, contradizem o espírito e a letra da Constituição e do programa do actual Governo e – sobretudo – insultam os cidadãos que são os principais beneficiários das políticas públicas de cultura no nosso país.
O Manifesto em Defesa da Cultura e os cidadãos abaixo-assinados repudiam as declarações da Directora Regional da Cultura e afirmam que, em face da atitude que elas revelam, a Dra. Celeste Amaro não tem condições para continuar no cargo.
Em consequência, apelam ao Ministro da Cultura para que aja, em conformidade e com urgência.
Coimbra, 7 de Março de 2018.
Primeiros/as subscritores/as
Abel Neves, dramaturgo Abílio Hernández Cardoso, professor universitário Adérito Luis Martins Araújo, professor e investigador Alexandre Lemos, programador cultural Alfredo Campos, professor Amanda Lúcia Gama Pereira Dias Guapo, museóloga Américo Rodrigues, encenador e programador cultural Ana Biscaia, ilustradora Ana Cláudia Jorge, tradutora Ana Margarida dos Santos Pires Quintais, gestora de projectos Ana Paula Gonçalves Santos, professora Ana Rosa Assunção, figurinista e designer António Augusto Barros, encenador António Ferreira, realizador António Luis Catarino, professor e editor António Miguel Cunha da Costa Matos Godinho, videógrafo Bárbara Figueiredo Janicas, bolseira FCT Beatriz Figueiredo Janicas, estudante Carlos Alexandre Campos Pais Coelho, professor do ensino superior Carlos Costa, dramaturgo, encenador e actor Catarina Isabel Martins, professora do ensino superior Catarina Portelinha, produtora cultural Cláudia Carvalho, atriz e professora de teatro Cláudia Galhós, jornalista Cláudia Susana Caeiro Silvano, produtora teatral Cristina Maria Martins da Silva Figueiredo Janicas, professora Cristina Planas Leitão, bailarina e coreógrafa Deolindo Leal Pessoa, encenador Diana Maria Dias Andringa, jornalista Elsa Ligeiro, editora Eugénia Vasques, professora coordenadora da Escola Superior de Teatro e Cinema Fátima Alçada, programadora cultural Fernando Amílcar Bandeira Cardoso, professor universitário Fernando Madaíl, jornalista Fernando Matos Oliveira, professor do ensino superior e programador cultural Fernando Mota, músico Fernando Rui da Silva Damasceno de Albuquerque, industrial de tipografia Fernando Sena, produtor teatral Filipa Alves, programadora cultural Filipa Malva, cenógrafa Gonçalo Filipe Bagagem Augusto Leonardo, músico Hélder António Pereira Wasterlain, escritor e fotógrafo Henrique Amoedo, coreógrafo Henrique José Alves Patrício, designer gráfico Hugo Inácio, ator Igor Lebreaud, actor Ilda Rodrigues, professora e gestora cultural Inês Carvalho, advogada Isabel Craveiro, atriz Isabel Campante, consultora de comunicação Jacinto Lucas Pires, dramaturgo Joana Cardoso Costa, docente do ensino superior e investigadora Joana Manuel, actriz, cantora e dirigente sindical Joana Teles Monteiro, designer gráfica João André dos Santos Nelas, estudante João Francisco Aguiar da Costa Fong, investigador João Maria Bernardo Ascenso André, professor João Marujo, técnico superior de cultura João Nora, artista plástico João Paulo de Miranda Domingues Janicas, professor João Sobral Neto Fragoso Ribeiro, músico Jonathan de Azevedo, iluminador Jorge Louraço Figueira, dramaturgo Jorge Simões, produtor cultural José António Bandeirinha, arquitecto e professor universitário José Augusto Ferreira da Silva, advogado José Carlos Galvão Baptista Nelas, enfermeiro José Castela, professor José Oliveira Barata, professor catedrático aposentado (Fac. Letras Univ. Coimbra) José Russo, actor e encenador Leonor Barata, coreógrafa Luís Pedro Madeira, músico e professor Luisa Bebiano Correia, arquitecta M. Conceição Lopes, docente do ensino superior Manuel Pires da Rocha, músico e professor Manuela Cruzeiro, investigadora (CES / Univ. Coimbra) Margarida Torres, professora do ensino superior Maria Alexandra de Jesus Silva, secretária Maria Guiomar Pereira, reformada Maria Inês Barreto Correia Dias, estudante de mestrado em Psicologia Maria João Robalo, actriz Maria José Vitorino, professora, formadora e bibliotecária Maria do Rosário Martins da Silva Figueiredo, professora Mário Montenegro, actor e encenador Miguel Cardina, historiador e investigador (CES / Univ. Coimbra) Natália Luíza, actriz e encenadora Natércia Coimbra, bibliotecária Nuno Filipe Camarneiro Mendes, escritor e docente universitário Paula Abreu, professora do ensino superior Paula Cristina Simões dos Santos, enfermeira Paula Garcia, actriz Paula Mota Garcia, programadora cultural Patrícia Portela, dramaturga Pedro Lamas, actor e professor de teatro Pedro Rodrigues, produtor teatral Ricardo Correia, actor e encenador Ricardo Kalash, actor e encenador Ricardo Vaz Trindade, actor Rodrigo Francisco, programador de cinema Rodrigo Lacerda, realizador e antropólogo Rui Bebiano, professor da FLUC e investigador do CES Rui Manuel Campos Macedo Gonçalves, médico Rui Matoso, professor do ensino superior Rui Valente, director técnico Sandra Alves, programadora cultural Sandra Correia, economista Sandra Silvestre, formadora Sara Vidal, música Serafim Duarte, professor Sérgio Dias Branco, professor universitário Sílvia Franklim, monitora em Centro Ciência Viva Sofia Lobo, atriz Teresa Paula Ribeiro Lopes, professora Valdemar Monteiro Margalho, reformado
03/11/2017
26/10/2017
A CULTURA NÃO SE FICA! — Sobre o Orçamento para a Cultura de 2018
1
Dois anos passados de governação do PS, no momento em que é conhecida a proposta de Orçamento do Estado para 2018, a plataforma Cultura em Luta — associação informal de dezenas de estruturas culturais e representativas do trabalho cultural, em todos os seus sectores — vem manifestar a sua profunda insatisfação com o rumo até agora seguido e aquilo que este orçamento revela quanto ao futuro.
A política cultural do governo do PS não trouxe, no essencial, nenhuma viragem em relação ao desastroso percurso de décadas que nos conduziu até aqui.
Permanecem as linhas essenciais de desvalorização, de empobrecimento, de elitização, de desresponsabilização e de investimento anémico na actividade cultural. Permanece a degradação do trabalho cultural. Permanece o conflito com o imperativo constitucional de democratização da cultura, que obriga o Estado a disponibilizar os meios à altura dessa missão e das necessidades do povo português.
Em dois anos, não se verificaram passos sérios no sentido inverso ao das políticas do passado. Não foram e não são apresentadas metas concretas que apontem para um patamar de financiamento substancialmente diferente, adequado às exigências da actividade cultural, consistente com o papel da cultura na sociedade. Continuamos a perder tempo.
Agravou-se, a devastação que assola a actividade cultural, as suas estruturas e projectos, os grupos e as pessoas que nela trabalham e a promessa de concretização do direito à cultura para todos, em todo o território nacional. A vida cultural empobrece, adoece e morre. O chão social e organizativo de que depende seca para largo tempo.
Agrava-se também, sempre e crescentemente, a preocupante situação de envelhecimento e não-rejuvenescimento e do inexorável e crescente deficit dos recursos humanos nos organismos públicos dependentes do Ministério da Cultura, tanto ao nível técnico e científico como a nível do atendimento ao público. Este último, especialmente escandaloso quando confrontado com o extraordinário aumento de visitantes em museus e monumentos, mercê do crescimento verificado no sector do turismo.
A proposta de Orçamento do Estado para 2018 confirma a incapacidade de traçar o novo horizonte necessário e urgente. O investimento do Estado na Cultura não aumenta. São propostos cortes em diversas estruturas e os aumentos apoiam-se, em muitas casos, no hipotético aumento de receitas próprias. Ou o governo aposta num incerto aumento do número de espectadores e de visitas ou tenciona aumentar o preço das entradas nos museus, palácios e monumentos, nos teatros nacionais e noutras estruturas de criação artística a cargo do Estado. Acresce o alto valor das cativações previstas, que têm limitado seriamente a gestão financeira dos organismos e estruturas, e a fraca execução dos orçamentos da cultura ao longo de décadas.
Num quadro de opacidade e de incerteza dos valores da execução, desconhece-se qual a expressão financeira das contrapartidas nacionais necessárias para o recurso a financiamento comunitário.
Dois anos passados de governação do PS, no momento em que é conhecida a proposta de Orçamento do Estado para 2018, a plataforma Cultura em Luta — associação informal de dezenas de estruturas culturais e representativas do trabalho cultural, em todos os seus sectores — vem manifestar a sua profunda insatisfação com o rumo até agora seguido e aquilo que este orçamento revela quanto ao futuro.
A política cultural do governo do PS não trouxe, no essencial, nenhuma viragem em relação ao desastroso percurso de décadas que nos conduziu até aqui.
Permanecem as linhas essenciais de desvalorização, de empobrecimento, de elitização, de desresponsabilização e de investimento anémico na actividade cultural. Permanece a degradação do trabalho cultural. Permanece o conflito com o imperativo constitucional de democratização da cultura, que obriga o Estado a disponibilizar os meios à altura dessa missão e das necessidades do povo português.
Em dois anos, não se verificaram passos sérios no sentido inverso ao das políticas do passado. Não foram e não são apresentadas metas concretas que apontem para um patamar de financiamento substancialmente diferente, adequado às exigências da actividade cultural, consistente com o papel da cultura na sociedade. Continuamos a perder tempo.
Agravou-se, a devastação que assola a actividade cultural, as suas estruturas e projectos, os grupos e as pessoas que nela trabalham e a promessa de concretização do direito à cultura para todos, em todo o território nacional. A vida cultural empobrece, adoece e morre. O chão social e organizativo de que depende seca para largo tempo.
Agrava-se também, sempre e crescentemente, a preocupante situação de envelhecimento e não-rejuvenescimento e do inexorável e crescente deficit dos recursos humanos nos organismos públicos dependentes do Ministério da Cultura, tanto ao nível técnico e científico como a nível do atendimento ao público. Este último, especialmente escandaloso quando confrontado com o extraordinário aumento de visitantes em museus e monumentos, mercê do crescimento verificado no sector do turismo.
A proposta de Orçamento do Estado para 2018 confirma a incapacidade de traçar o novo horizonte necessário e urgente. O investimento do Estado na Cultura não aumenta. São propostos cortes em diversas estruturas e os aumentos apoiam-se, em muitas casos, no hipotético aumento de receitas próprias. Ou o governo aposta num incerto aumento do número de espectadores e de visitas ou tenciona aumentar o preço das entradas nos museus, palácios e monumentos, nos teatros nacionais e noutras estruturas de criação artística a cargo do Estado. Acresce o alto valor das cativações previstas, que têm limitado seriamente a gestão financeira dos organismos e estruturas, e a fraca execução dos orçamentos da cultura ao longo de décadas.
Num quadro de opacidade e de incerteza dos valores da execução, desconhece-se qual a expressão financeira das contrapartidas nacionais necessárias para o recurso a financiamento comunitário.
Tanto no Orçamento, como nas linhas com que se vai cosendo a política cultural deste governo, cresce exponencialmente a aposta na profunda mercantilização de toda a actividade cultural, fazendo depender o financiamento: da cultura de indústrias como o turismo, a restauração e a produção de eventos; do falso mecenato e de interesses empresariais e corporativos; e do agenciamento ideológico, através de programas que impõem temas, formatos e dinâmicas de conteúdo propagandístico.
Acrescem ainda os esforços evidentes e perigosos de desresponsabilização do Estado central dos seus deveres constitucionais de garantia da democracia cultural, na entrega de competências para a esfera regional e local, num país de profundas desigualdades e carências, com a perda de rigor e de exigência, e com dispersão de meios e capacidades.
Decrescem os valores destinados aos salários dos trabalhadores do Estado, fazendo prever que prosseguirá o emagrecimento do serviço público, que dita já hoje a incapacidade de, cumprir a sua missão, com qualidade e em todo o território.
A proposta de Orçamento do Estado para 2018 mantém a cultura no grau zero do financiamento. Espelha assim o nível de indigência da política cultural do governo que prolonga uma história de décadas de desresponsabilização do Estado.
2
A plataforma Cultura em Luta reafirma a sua exigência de uma nova política cultural, assente num esforço determinado de democratização da cultura e de construção de um verdadeiro serviço público de cultura, no estrito cumprimento da Constituição da República.
Reafirmamos a exigência de combate à degradação do trabalho na cultura, investindo no emprego estável e com direitos, designadamente com a reposição das carreiras BAD e dos museus, e no combate sustentado à precariedade, apoiando as estruturas na prossecução desse objectivo.
Reafirmamos a exigência de combate ao trabalho não-remunerado, que alastra, rouba emprego, degrada o tecido social, afecta a sustentabilidade e o futuro da actividade cultural. Para tal, devem ser definidos com clareza e rigor os limites do trabalho voluntário.
Reafirmamos a exigência de elevação imediata do financiamento para um
patamar que o aproxime a passos firmes do 1% do OE até ao final da legislatura,
com vista a alcançar gradualmente 1% do PIB para a cultura. Que esse caminho
possa ser começado já, na discussão da especialidade do OE.
A plataforma Cultura em Luta não aceita que a engenharia orçamental, a obsessão economicista do défice e limitações inaceitáveis aos imperativos da Constituição da República Portuguesa possam servir de pretexto para não fazer aquilo que tem de ser feito, na cultura como no país.
Reafirmamos a exigência de uma viragem política assente no programa de 12 eixos — Um Horizonte para a Cultura* em anexo, firmado no ano passado por mais de 60 estruturas culturais e representivas do trabalho cultural, nacionais, regionais e locais e centenas de personalidades.
3
A plataforma Cultura em Luta apela a todas as organizações e cidadãos, entre as quais as organizações, trabalhadores e activistas da cultura, que subscrevam, divulguem e ponham em prática o seguinte plano de acção:
A plataforma Cultura em Luta não aceita que a engenharia orçamental, a obsessão economicista do défice e limitações inaceitáveis aos imperativos da Constituição da República Portuguesa possam servir de pretexto para não fazer aquilo que tem de ser feito, na cultura como no país.
Reafirmamos a exigência de uma viragem política assente no programa de 12 eixos — Um Horizonte para a Cultura* em anexo, firmado no ano passado por mais de 60 estruturas culturais e representivas do trabalho cultural, nacionais, regionais e locais e centenas de personalidades.
3
A plataforma Cultura em Luta apela a todas as organizações e cidadãos, entre as quais as organizações, trabalhadores e activistas da cultura, que subscrevam, divulguem e ponham em prática o seguinte plano de acção:
-
Subscrição e divulgação, em todo o país, do presente comunicado
conjunto, por todos os meios disponíveis, seja através da sua difusão
electrónica, em papel ou através de leituras em locais públicos.
-
Realização de iniciativas próprias de difusão desta posição, de debate e
de protesto e de exigência de uma nova política cultural e de um reforço
substancial do Orçamento do Estado para 2018.
- Participação na Acção “A Cultura não se fica!”, no dia 6 de Novembro de 2017, às 18h, no Campo das Cebolas, em Lisboa, ou noutras cidades onde acções idênticas se vierem realizar.
25 de Outubro de 2017
O Grupo de Coordenação da plataforma Cultura em Luta
14/11/2016
Um horizonte para a Cultura - 12 eixos para uma viragem na política cultural
Comprometidos com as possibilidades e expectativas geradas no actual quadro político, afirmamos a exigência, a justiça e o sonho de uma viragem política que rompa com décadas de destruição da Cultura, de uma política de democratização, de serviço público, de trabalho com direitos, de espaço e meios para uma Cultura viva, livre e diversa.
- Cumprimento da Constituição da República: livre acesso de todos à criação e fruição culturais e obrigação do Estado de prover os meios necessários a esse fim
- Criação de condições de acesso de todos à prática, à produção e criação cultural e artísticas
- Definição e construção de um serviço público de cultura em todo o território nacional
- Investimento na escola pública, ampliação e qualificação de uma rede pública nacional de ensino e formação artísticos e apoio ao trabalho das colectividades populares, enquanto promotores de desenvolvimento artístico e cultural
- Apoio público relevante à criação artística e literária e criação de condições efectivas de criação, divulgação, difusão e apresentação da produção nacional
- Defesa do vasto património cultural à nossa guarda, com a alocação dos meios financeiros, técnicos e humanos necessários, salvaguarda do património ameaçado, contra a sua privatização e promoção da acessibilidade e divulgação plenas
- Defesa e preservação da documentação arquivística e promoção do livre acesso dos cidadãos à informação pública;
- Defesa do trabalho com direitos, combate intransigente à precariedade e ao trabalho não-remunerado
- Aplicação do IVA mínimo nos serviços culturais e na compra de materiais, produtos e instrumentos necessários às actividades culturais
- Reconhecimento efectivo do valor sem preço da Cultura: recusa da sua mercantilização generalizada, recusa da desresponsabilização do Estado, não à turistificação e municipalização da Cultura
- Redução do horário de trabalho para as 35 horas semanais para todos e melhoria efectiva das condições de vida do povo português
- 1% para a cultura - 1% do OE, como patamar mínimo, 1% do PIB como patamar a alcançar gradualmente - a garantia, em sede de orçamento, de condições para um serviço público de Cultura, de condições para a liberdade e a diversidade culturais.
A proposta de OE 2017 para a Cultura apresenta um reforço de verbas em cerca de 25 milhões de euros. Este reforço resulta essencialmente da reposição de salários dos trabalhadores da administração pública, de indemnizações compensatórias às Empresas Públicas Reclassificadas, da integração do Teatro Nacional D. Maria II no orçamento do sector Cultura, da aplicação automática de transferências previsivelmente maiores dos Jogos da Santa Casa, da contribuição para o audiovisual e da taxa do cinema e da reposição de verbas não executadas em 2016, no campo dos apoios às artes.
ORGANIZAÇÕES SIGNATÁRIAS (actualizado a 16/11/2016):
Organizações que queiram subscrever esta posição política devem enviar a sua adesão para: cultura.em.luta.plataforma@gmail.com
MdC - Manifesto em defesa da Cultura | STARQ - Sindicato dos Trabalhadores da Arqueologia | BAD - Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas FNSTFPS - Federação Nacional de Sindicatos de Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais | CENA - Sindicato dos Músicos e dos Profissionais do Espectáculo e do Audiovisual | STE - Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos USL/CGTP-IN - União de Sindicatos de Lisboa | USS/CGTP-IN - União de Sindicatos de Setúbal | | INTERJOVEM Lisboa | CPCCRD - Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto | SPRC - Sindicato dos Professores da Região Centro
Teatro Feiticeiro do Norte Funchal | Teatro Art'Imagem Maia | Clube Estefânia Lisboa | Máquina Agradável Lisboa | Associação Carta Branca Lisboa | CENDREV - Centro Dramático de Évora Évora | Ateneu de Coimbra Coimbra | Grupo Vocal Olisipo Lisboa |
DIRIGENTES, ACTIVISTAS E PROFISSIONAIS
Organizações que queiram subscrever esta posição política devem enviar a sua adesão para: cultura.em.luta.plataforma@gmail.com
MdC - Manifesto em defesa da Cultura | STARQ - Sindicato dos Trabalhadores da Arqueologia | BAD - Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas FNSTFPS - Federação Nacional de Sindicatos de Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais | CENA - Sindicato dos Músicos e dos Profissionais do Espectáculo e do Audiovisual | STE - Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos USL/CGTP-IN - União de Sindicatos de Lisboa | USS/CGTP-IN - União de Sindicatos de Setúbal | | INTERJOVEM Lisboa | CPCCRD - Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto | SPRC - Sindicato dos Professores da Região Centro
Teatro Feiticeiro do Norte Funchal | Teatro Art'Imagem Maia | Clube Estefânia Lisboa | Máquina Agradável Lisboa | Associação Carta Branca Lisboa | CENDREV - Centro Dramático de Évora Évora | Ateneu de Coimbra Coimbra | Grupo Vocal Olisipo Lisboa |
DIRIGENTES, ACTIVISTAS E PROFISSIONAIS
Pedro Penilo artista, dirigente do MdC | Joana Manuel actriz, cantora, dirigente do CENA | Artur Sequeira trabalhador da função pública e dirigente da FNSTFPS | Alexandra Lourenço presidente da BAD | Rui Galveias artista plástico, músico, dirigente do STE | Nuno Almeida assistente técnico na CML, dirigente da USLisboa/CGTP-IN | Luís Leitão coordenador da USSetúbal/CGTP-IN | Cláudia Dias, bailarina, coreógrafa, dirigente do MdC | André Albuquerque actor, presidente do CENA | Bruno Raposo Ferreira psicólogo, presidente do Sindicato Nacional dos Psicólogos, dirigente do MdC | José Fernando Araújo Calçada reformado, presidente do Sindicato dos Inspectores da Educação e do Ensino | João Barreiros técnico de iluminação, dirigente do STE | António Olaio arquitecto, actor, dirigente do MdC | Fernando Casaca, director do Teatro do Elefante, dirigente do MdC | Inês Barbedo Maia produtora, dirigente do MdC | Inês Gregório produtora, dirigente do MdC | Rui Brito assistente técnico, dirigente do MdC | Alberto Pereira técnico municipal da área Cultura, dirigente do MdC | Filipa Malva cenógrafa, figurinista, dirigente do MdC | Alfredo Campos sociólogo, dirigente do MdC | Alexandra Pinto artesã, dirigente do MdC |
Tiago Santos músico e radialista | Maria Antónia (Mitó) música | Rita Cruz actriz Pedro Rodrigues produtor teatral | Carlos Barretto músico | João Monge autor | Inês Maya Laginha professora de piano | Rui Portulez jornalista de rádio e televisão José Moz Carrapa músico | Rui Alves músico | Pedro Filipe Lopes Silva hoteleiro, marinheiro | João Soeiro Lopes dirigente associativo voluntário | Nelson Martins DJ Victor Pinto Ângelo Teatro Extremo | Maria José Monteiro directora de casting, assistente de realização | Francesco Valente músico | Alípio Padilha fotógrafo | Donatello Brida músico | Mo Francesco músico | Hugo Santos técnico de som | João Branco músico | Kimi Djabate músico | Helena Ales Pereira jornalista | André Gonçalves músico | Hugo Menezes músico | Luís Vicente músico | Ricardo Pinto músico | Francisco Palma artista plástico, dirigente da Imargem e do MdC |
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